Texto publicado na edição 04 do jornal O CARAPEBA em 01 de novembro de 2010
Considerada por muitos como a “zona sul” de Araruama, Praia Seca recebe a cada dia mais moradores, que em boa parte um dia foram alguns dos milhares de veranistas que se multiplicam por lá durante o verão. Hoje, eles buscam no balneário a qualidade de vida perdida nos grandes centros. A revitalização da lagoa e as praias oceânicas quase intocadas do local são atrativos que chamam a atenção de qualquer um que por lá chegue. Prestes a se iniciar o verão, Praia Seca larga na frente e, de forma inédita, sedia um evento internacional: o Campeonato Mundial de Windsurf – Rio Worlds 2010, ocorrido durante o mês de outubro. Mais de 300 pessoas de 18 nacionalidades diferentes se hospedaram no distrito. O inglês Carrie Willians, diretor-executivo da Associação Mundial de Windsurf, esteve em Araruama pela primeira vez e virou fã da lagoa. “Encontramos bons ventos, condições perfeitas para a prática do windsurf. Este é o primeiro campeonato internacional aqui, mas já estou procurando trazer outro evento em um futuro próximo. Há um potencial enorme para o crescimento aqui, e estaremos empenhados para que isso aconteça”, afirma empolgado. O atleta profissional de windsurf Paulo dos Reis, que esse ano já correu em seis países diferentes, faz coro com Mr. Willians. “As pessoas aqui são super-receptivas, as condições do clima são excelentes, dá vontade de voltar pra cá sempre. Araruama está supreendendo ao mundo inteiro”, elogia Paulo.
“Agora é a hora que o negócio está começando a mudar”

Luiz Guilherme Antunes, que trabalhou a vida inteira em Praia Seca, hoje é o coordenador da Prefeitura no distrito, aposta cada vez mais no futuro local. Segundo ele, o prefeito sempre freqüentou e gosta de Praia Seca, e quer investir cada vez mais aqui, e o Mundial de Windsurf é reflexo disso. “Hoje, tem pousada que já fez reserva de três quartos durante 20 dias para turistas chilenos que estiveram pro campeonato. Há alguns meses, passaram alguns franceses por aqui. Gostaram. Agora, todo mês tem francês velejando na lagoa”, comemora. Para Luiz, o evento foi a melhor divulgação que Praia Seca já teve até hoje. Ele reconhece que ajustes devem ser feitos para os próximos, principalmente sobre a divulgação local, que foi muito pequena, restringindo a interação da população. “Foi a primeira vez que fizemos esse tipo de evento aqui, mas o que teve de errado foi muito pouco diante dos acertos.”, analisa ele. Como coordenador do distrito, no entanto, o trabalho continua e não é pouco. Segundo ele, o problema da iluminação pública e da saúde já estão sendo trabalhados e estarão sendo solucionados em breve “Ainda falta muito, mas não tenho dúvida que está melhorando e ainda vai melhorar mais”, afirma esperançoso. Luiz Guilherme chama a atenção para o a participação do empresariado local e população no Centro Turístico de Praia Seca. O órgão é uma parceria entre comerciantes e Prefeitura, aberto a todos, com o objetivo principal de divulgar Praia Seca e organizar eventos locais. “Já fizemos alguns eventos esse ano e estamos ansiosos pelo verão”, avisa Luiz, empolgado.
Muito trabalho, desde o projeto até o final do evento
O então Subsecretário de Esportes Peu, quando recebeu na Secretaria o idealizador da vinda do Campeonato Mundial em Praia Seca, Leonardo Rabello, dono da Upwind, ainda não tinha certeza que o evento poderia ser realizado aqui, pois outras cidades pleiteavam essa possibilidade. Araruama foi campeã logo na primeira disputa, e a cidade ganhou esse privilégio. “É um evento que requer uma parte técnico-administrativa enorme, além de grande investimento dos patrocinadores. Na competição, recebemos atletas de 18 países diferentes. E foi uma semana onde tudo funcionou, foi nota dez”, comemora Peu, que trabalhou incansavelmente para isso. Agora oficialmente como Secretário de Esportes, ele acha que a Prefeitura acertou “na mosca” ao buscar investimentos para o Campeonato. Segundo ele, a repercussão do evento na feira de turismo da ABAV foi grande. Foram feitos muitos comentários por estrangeiros, todos exaltando Praia Seca como “um pedacinho do paraíso que Deus botou dentro de Araruama.”
Mais campeão, impossível!

Apesar de ter ficado com o segundo lugar geral e o primeiro na categoria Master, o atleta Leonardo Rabello (na foto, à esquerda) foi o grande vencedor do evento. Caso típico daquele jogador de futebol que bate o córner e ainda corre pra cabecear e fazer o gol, Leonardo foi o responsável pela ideia de trazer o campeonato para cá. Ele é um dos maiores desenvolvedores dos esportes náuticos na região, por meio da Upwind, escola de vela que mantém em Praia Seca. Além de trabalhar como faz-tudo, buscando recursos e organizando o evento, ele provavelmente só deixou de ser o campeão geral porque disputou as últimas regatas com um problema muscular, que apareceu quando liderava as regatas. Mas nem precisava. Parabéns por tudo, Léo.
Peru fica com o título
O peruano Nicolas Schreier (à direita na foto, ao lado de Leonardo) foi o vencedor da categoria Open da Formula Experience, sagrando-se campeão geral
Yes, we can!
Nós, araruamenses, também temos mais um campeão mundial em sua categoria: o garotão Breno Francioli faturou o Mundial Sub-15. Ah moleque! parabéns! Na foto, com o prefeito André Mônica.
Cancún: A Praia Seca mexicana
Ironia do destino: anos depois de ser rotulada pela Prefeitura de Araruama como “A Cancún Brasileira”, Praia Seca recebe o Campeonato Mundial de Windsurf, evento que se repete a cada ano em um país. E depois dela, no ano que vem, o anfitrião é o México, e a cidade escolhida é a própria: o balneário de Cancún, que se assemelha a Praia Seca pelas belezas naturais e a proximidade entre o mar e a lagoa. Depois disso, o prefeito de lá, Chiquito de la Educazión, se prepara para fazer uma campanha internacional com o slogan “Cancún, la Playa Seca del México”. O CARAPEBA se prepara para a sua primeira cobertura internacional.
Cardápio deixou a desejar
Pra não dizer que só falamos de flores: o jantar oferecido pela Prefeitura aos competidores no Parque Hotel estava maravilhosamente decorado, o show ao vivo e a apresentação de capoeira fascinaram os turistas, porém os pratos servidos fariam vergonha a qualquer casa-restaurante de Araruama. E não foi culpa da FAETEC, responsável pelo preparo da comida. O problema é o que foi servido. É claro que pra nós, jornalistas que cobriam a festa, estava de ótimo tamanho porque éramos “bicões” mesmo. Mas servir creme de leite com micro-camarões e salpicão de batata-palha industrializada e falar pro gringo que era estrogonofe, aí já é abuso…Ainda bem que a Ulla não foi, senão vocês iam ver só!
