Uma BBB em Araru

Texto publicado na edição 07 do jornal O CARAPEBA em 15 de janeiro de 2011

E na Rede Globo, retorna ao ar em sua 11ª edição o polêmico Big Brother Brasil. Gostando ou não da atração, mesmo quem não consegue aturar o programa acaba pescando alguma coisa por tabela, pois comenta-se mais sobre ele do que qualquer sociedade dita normal deveria. Mesmo desgastado pelo tempo, todo início de ano a entrada dos BBBs na casa se torna o assunto do momento. E as conseqüentes crises de relacionamento internas, romances e afins viram a novela da vida quase real.

Uma das personagens que mais chamaram a atenção do público nesse período foi a ex-frentista Solange Cristina Couto Maria, a Sol, participante da quarta edição do programa, em 2004. Pela primeira vez entraram participantes por meio de um sorteio, ideia que acabou sendo abolida em outras edições. Sol não entrou dessa forma, mas teve que disputar ao vivo uma vaga para entrar na casa logo no primeiro dia da atração com a loira ex-miss gaúcha Natália Cassassola (que acabou participando do BBB 8). O público optou pela morena, cuja participação chamou a atenção de todo o país pela espontaneidade quase ingênua, ao falar com um sotaque do interior paulista em um português errado (característico de grande parcela da população) e também por se revelar uma péssima cantora e versionista, ao entoar em um momento de descontração a música “We are the World”, que ela transformou em “iarnuou”. Aquele momento despretensioso virou hit imediato nas conversas. Além disso, nas 12 semanas em que esteve no programa, ela protagonizou um dos maiores “barracos” apresentados no BBB, discutindo com a dondoca Marcela. Outra marca de sua passagem foi o romance com o coveiro (e atualmente ator e cantor) Rogério Dragone. Após sua saída, Solange participou de diversas atrações da emissora, principalmente de humorísticos. Repaginou o visual, ficando ainda mais bonita, e posou nua para diversas revistas. O sucesso foi tamanho que ela virou até personagem, ao ser interpretada por Tom Cavalcante no “Show do Tom”. Mas nem só de vitórias foi sua passagem pela fama. Solange foi enganada por diversos empresários. E foi assim que Sol chegou à Araruama para gravar seu CD, ao se lançar na carreira de… cantora!

Em Araruama, o improvável CD se tornou realidade

Em 2006, a então agenciadora artística de Solange procurou um estúdio que pudesse atender à gravação e ao mesmo tempo fosse fora dos grandes centros e das badalações do meio musical. Na verdade, sua intenção era ganhar um “por fora”, intermediando a cobrança do serviço sem o conhecimento de sua cliente. Sol veio a Araruama gravar com o marido, o empresário italiano Tibério, que já começava a perceber algo de errado com a história, que em pouco tempo veio à tona. A agenciadora foi dispensada e o CD continuou sendo produzido no StudioLagos, com a produção musical de Marcos Serpa (que hoje é jornalista e editor do O CARAPEBA) e do músico multi-instrumentista Édson Vianna. Segundo Marcos, “foi uma surpresa e um desafio, já que ela não era uma cantora, mas que serviu como lição de superação ao ouvirmos o resultado final. Na verdade, produzir o CD da Sol foi muito mais fácil do que fechar O Carapeba toda quinzena”, brinca. Todo o repertório foi escolhido pelos produtores, que mesclaram composições de nomes como Gustavo Lins, Abdullah e Cacá Moraes a artistas da região, como Eliana Destemida e Henrike Lemos.

A gravação durou cerca de três meses, tempo em que Solange esteve na cidade e que a fez se apaixonar por Araruama, onde fez diversos amigos, tendo voltado para visitá-los várias vezes depois. O CD, que trazia o seu novo nome artístico – Sol Vega – foi lançado no programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, sob o comando de Emílio Surita. Durante entrevista ao vivo, ele a convidou para participar do “Pânico na TV”, cobrindo as férias da também ex-BBB Sabrina Sato, que atua no humorístico. Durante um mês e meio Solange esteve no ar fazendo reportagens hilárias e cantando seu repertório na Rede TV! e em outras emissoras. Ela conseguiu arrancar até elogios dos implacáveis jurados e produtores musicais Arnaldo Saccomani e Carlos Eduardo Miranda, do então programa “Ídolos”, na época no SBT. “O CD dela é muito melhor do que a maioria dessas cantorazinhas que chegam na mídia hoje posando de estrelas, sem diferencial nem carisma algum”, sentenciou Saccomani.

Depois de um bom tempo longe das câmeras globais, no domingo, dia 9 de janeiro de 2011, antevéspera da estreia do BBB 11, o Domingão do Faustão apresentou uma retrospectiva trazendo alguns dos ex-participantes do programa. Sol foi a última a se apresentar, ficando cerca de dez minutos no ar, contando sua experiência pós-BBB, mostrando que além de estar em ótima forma física, ela mostra a diferença que os estudos (que ela retomou) estão fazendo em sua vida. E mais uma vez, cantou “We are the world”, agora em um inglês… quase bom!

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