Hipocrisia, isenção, opinião e eleição
Texto publicado originalmente na edição 03 do jornal O CARAPEBA em 01 de outubro de 2010
Somos, sim, tendenciosos quando emitimos a nossa opinião. E quando o fazemos, deixamos isso bem claro. O problema é que a nossa opinião não está à venda. Alguns políticos da cidade começam a perceber isso – eles e as suas propostas tentadoras…
Buscamos a isenção quando levamos a informação. São coisas totalmente diferentes. Temos a obrigação profissional e moral de sermos isentos ao relatar os fatos, procurando não distorcê-los conforme a conveniência de nossos egos ou nos tornando traficantes de uma suposta “influência midiática”.
Assim, nos poupamos de sermos mais hipócritas ainda do que nossa natureza humana insiste em nos fazer, ao nos proclamarmos “arautos da verdade” escrevendo nos jornaizinhos do interior. Se opinamos certo ou errado, é porque nós acreditamos no que escrevemos e somos sujeitos a tal, e não porque alguém pagou para que disséssemos isso ou aquilo. Não estamos aqui para jogar conversa fora. Por mais que a gente goste de escrever bobagens, às vezes. Repetindo a frase do primeiro editorial: Brincamos muito ao escrever, mas falamos muito sério também. Até no meio da brincadeira.
São detalhes que muitos jornalistas, independentemente de formação ou não, desconhecem. Quando levantamos a bandeira do “candidato da região” ao invés do “candidato local”, seria como dar um tiro no pé em época de eleições, quando se ganha dinheiro com santinhos de políticos e apoios bem pagos. Afinal, quanto mais candidatos pudermos anunciar, melhor. Nada contra quem pensa assim. Cada um sabe onde dói o seu calo e até onde dá pra aguentar. Mas cremos que para a nossa cidade avançar em muitos sentidos, precisamos eleger gente daqui. Pessoas que façam parte do nosso dia-a-dia, mesmo que só os conheçamos de vista. Se nós moramos e priorizamos uma Araruama com mais recursos, nada mais lógico do que votarmos em quem possa nos dar prioridade na hora de trazê-los, assim como os candidatos de outras cidades vizinhas fazem. Como Araruama tem eleitores suficientes para eleger,
quem sabe, até mesmo dois deputados federais e um estadual diante do quadro atual, por que não nos engajarmos nesse propósito? E ainda podemos “emprestar” nossos deputados para as cidades vizinhas, como Iguaba Grande, por exemplo, que sozinha não tem votos para eleger um deputado, e até pra Saquarema e outras, se for preciso. Até faz sentido abrir algumas exceções nessa campanha, para militantes de partidos não representados aqui, grupos profissionais e religiosos engajados politicamente. Cabe o bom senso de cada um.
Fora disso, nosso partido é a nossa casa: Partido de Araruama. E aqui temos candidatos competentes para nos representar na ALERJ e em Brasília. E ao invés de sardinha, vamos puxar a carapeba pro nosso lado.
