Texto publicado na edição 10 do jornal O CARAPEBA em 10 de março de 2011

Quando eu fazia faculdade de jornalismo, uma vez foi debatido durante a aula de Ética o tema “publicismo nos jornais do interior”. Para minha vergonha, o exemplo usado foi um jornal de Araruama. Em uma edição, o cidadão que escrevia o jornal endeusava entusiasmadamente um empresário local que se candidatava a prefeito naquele momento, e ao mesmo tempo procurava espezinhar o grupo político adversário. Duas edições depois, o jogo virou. Sem razão aparente, aqueles que antes eram os “vilões”, foram vistos como o único grupo pronto para administrar a cidade e o mesmo empresário, antes adorado pelo jornal e indicado como a salvação de Araruama, virou a própria encarnação do mal, segundo o próprio. E não só o candidato, a sua esposa também era atacada, apelidos o ridicularizavam e a baixaria rolava solta. No ponto de vista de todos, nenhuma das imagens que esse veículo de imprensa tentou “vender” correspondiam à realidade. Aliás, não chegavam nem próximas. Mas elas tinham um motivo e um objetivo, que naquele momento foi alcançado, mesmo sem necessariamente ter sido direcionado por um suposto impacto na imagem do candidato causado pelo jornal. O “profissional da direção” se intitulou nos bastidores como o destruidor da campanha derrotada, e hoje em dia, às vezes de forma subliminar, outras de forma escancarada, tenta se apresentar como o dono da verdade, o quarto poder de Araruama, o cidadão que tem a isenção necessária para dizer quem presta e quem não presta na política, sempre se justificando como imparcial e agora, até como “santo”. Até o chamado público gospel, já tão explorado por alguns em Araruama, corre o risco de entrar nessa. E por incrível que pareça, suas supostas ex-vítimas, com receio, começam a alimentá-lo. Mas ninguém é bobo como ele supõe. E os que por acaso forem e caírem no papo, vão sair com o filme queimado no final. Até porque jornal velho não se apaga com o tempo, e vale o que está escrito…
Mas a curiosidade matou o gato, diz o ditado. Eu não resisto e acabo lendo toda publicação que tenha relação com Araruama. No veículo de imprensa citado na história do início, que ainda leio hoje (claro que sabendo dar o devido crédito para o que é escrito, ou seja, nenhum), me deparo com uma nota criticando a crítica que fizemos a um assessor do Deputado Miguel Jeovani. E não era uma resposta. Aliás, pelo jeito a resposta foi a ligação do próprio deputado, que de forma calma e sincera como lhe é de costume, afirmou desconhecer o problema que estava acontecendo e se pôs à disposição para resolver. A tal nota insinuava que nós estaríamos praticando a política do “morde-e-assopra”. Com certeza, seríamos nós a termos, de verdade, a melhor tiragem e circulação da Região se usássemos esse artifício para extorquir dinheiro dos políticos e candidatos à políticos. E com um conteúdo de qualidade, que mesmo hoje já oferecemos.
É claro que sei o motivo da referida citação, o que agora me deixaria constrangido de publicar e com pena de gastar espaço no jornal com uma história tão vexatória. Ainda fiquei na dúvida se o colunista realmente nos citava, pois se refere a mim como “colega”. Como eu sou um razoável motorista de automóvel de passeio apenas, não um profissional da área, não sei em que eu me enquadraria como tal. Claro que nunca como jornalista, profissão que exerço antes até de ter me formado academicamente, por afinidade, prática e aptidão pessoal. E até hoje, O CARAPEBA vai pras ruas e pra internet sem precisar necessariamente de grandes anunciantes. Ninguém aqui vive disso, por enquanto. E ainda assim, fazemos um jornalzinho que presta, sem precisar virar o maior ou o melhor do mundo a qualquer custo e vender a alma ao capeta.
É bem verdade que, infelizmente, ninguém consegue ser santo, seja na política ou no imprensa. Não sei se por falta de tentativa ou impossibilidade prática. Mas o que custa tentarmos? Quem sabe, um dia a gente chega lá…
