Entrevista com o professor e poeta Wellington Costa de Melo

Texto publicado na edição 01 do jornal O BAIACU em 01 de novembro de 2011

O BAIACU Primeiramente, gostaríamos que você falasse um pouco de você.

P.W. – Nasci em Araruama, tenho 22 anos, sou professor formado pelo C.E. Edmundo Silva. Atualmente dou aulas particulares do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental 1. Sou poeta e pretendo, se Deus me ajudar, lançar meu primeiro livro de poesias, ano que vem. Para isso, já tenho uma coleção antológica com cerca de 50 poemas.

O BAIACUÉ impossível não reparar na extrema semelhança entre você e o jornalista Arlindo Júnior, que mantém um programa diário na Rádio Costa do Sol (AM 560). Alguém já havia chamado sua atenção para este fato?

P.W. – Na verdade, não. Acho que o Arlindo não é tão conhecido como ele pensa (risos). Certa vez, em um supermercado, assim que pedi à moça da caixa que consultasse preço de determinado produto, uma senhora que estava atrás de mim perguntou se eu era o “rapaz do rádio”. Acredito que falava do Arlindo. Então, além de fisicamente parecidos, temos vozes semelhantes (risos). Mas isso não me incomoda.

O BAIACU Você nos procurou com a intenção de manifestar seu descontentamento com o fato de ter seu nome algumas vezes mencionado naquele programa de rádio, mesmo depois de ter sido, segundo você, “maltratado pelo próprio jornalista, quando falava ao telefone com ele”. Você pode explicar a natureza do seu relacionamento com ele?

P.W. – Eu conheço o Arlindo desde muito tempo antes dele trabalhar com o deputado Jeovani. Antes disso ele já havia trabalhado com o Chiquinho e depois que ficou desempregado, o Ecy Jr. conseguiu colocar ele na Câmara dos Vereadores. O Arlindinho que eu conheci naquela época, por mais incrível que possa parecer, era uma pessoa completamente diferente do Arlindo de agora. Eu testemunhei isso quando, pouco tempo atrás, expliquei para ele que estava precisando trabalhar. Como eu sempre me interessei pela política local, devo ter feito algum comentário com ele. Foi quando fui convidado para ir ao programa. Eu já havia sido alertado de que não deveria elogiar qualquer ação do prefeito André Mônica ou de seu governo. Acho que me empolguei por estar no rádio e falei demais. Talvez para retribuir o carinho que estava recebendo por parte do pessoal do programa. Mas quero deixar claro que sou responsável pelo que disse. Ninguém me obrigou a falar nada. Embora não tenha feito por mal, eu sei que errei. Falei contra os problemas da cidade, eles existem e são muitos, mas culpando o atual governo por cada um deles. Um dia, pressionado pelas dificuldades financeiras, já que dependo exclusivamente das aulas particulares que dou, pedia que o Arlindinho falasse sobre mim, com o deputado, no sentido de me conseguir um emprego. Ele gritou comigo… Disse que o deputado tinha coisas mais importantes para fazer. Que o deputado estava deprimido por conta da péssima repercussão da audiência pública sobre o “cadeião”. Mandou que eu não enchesse mais o saco dele. Me chamou de gay.

O BAIACU Você ficou ofendido? Você é gay?

P.W. – Eu não sou gay. Jamais tive qualquer relacionamento homossexual. Mesmo que tivesse, não gostaria de ser julgado por isso. Ou mesmo, ofendido por conta disso. O que me magoou mesmo foi a forma com que fui tratado. Tão diferente de quando fui ao programa. E foi esta mágoa que me fez refletir sobre o quanto eu havia sido injusto. Então, fui até o prefeito, no dia da inauguração da nova escola que substituiu a antiga Nairzinho, para pedir que me perdoasse. Eu senti que devia isso a ele, já que havia recebido uma ofensa igual àquela que lhe havia feito. E fiz mais do que isso. Declamei para ele um poema de minha autoria, o “Soneto da Superação”, que o emocionou. Pedi licença para ler esse poema, no programa de rádio que ele mantém, aos sábados. E minha atitude desagradou profundamente ao Arlindinho. Passei a ser citado, de forma irônica, no programa dele. Ele agradecia as ligações telefônicas que eu jamais fiz. Tentei ligar uma vez para o programa, porque gostaria de contar o meu lado da história. Explicar que a cidade convive com problemas que não são de agora. Temos uma área aproximada de 643 Km2 e uma população de mais de 120 mil habitantes. Nossa renda per capita é baixíssima. Precisamos que os nossos políticos se unam em defesa do interesse maior, que é o progresso da nossa cidade. Dependemos das verbas destinadas pelos governos (estadual e federal). Por isso é tão importante o trabalho integrado dos nossos deputados com o prefeito. Com uma economia fraca, dependemos muito dos turistas que nos visitam e aqui deixam o seu dinheiro. Agredindo o prefeito e denegrindo a imagem da cidade, afastamos esses turistas e prejudicamos a cidade. Eu não compreendo como o deputado Miguel Jeovani permite que se faça isso em seu nome. Era isso que eu gostaria de dizer no programa de rádio. Mas não consegui chegar até lá.

O BAIACU Agora que você tornou pública a sua mágoa, pode ser que seja chamado ao programa para esclarecer esta situação. Se isso acontecer, qual será sua reação?

P.W. – Eu não acredito, sinceramente, que o programa tenha esta postura. Eu lamento pelo deputado Miguel Jeovani, a quem eu respeito, como respeito sua esposa, Sra. Márcia, educadora como eu. Não compreendo como podem cercar-se de gente que demonstra não ter o menor carinho pela cidade, a maior vítima desses ataques diários. Que interesse político está por trás dessa campanha que usa horários pagos em emissora de rádio?

O BAIACU Você votou em Miguel Jeovani, para prefeito ou, depois, para deputado estadual?

P.W. – Eu não votei nele para prefeito. Mas votei para deputado. Hoje, por causa do programa de rádio, não repetiria meu voto.

O BAIACU Mesmo dizendo-se magoado, você demonstra carinho ao referir-se ao casal Jeovani e ao Arlindinho. Parece que, inclusive, você fez uma poesia e a dedicou a ele. Existe a possibilidade de vocês voltarem a ser amigos?

P.W. – Eu tenho amor pelas pessoas. Independentemente de quem sejam. Não guardo rancor. Sou um poeta. Talvez, por conta desta minha sensibilidade, as mágoas costumam ser tão doloridas. Porque não faço mal a ninguém, não compreendo os que procuram atingir-me. Mas não existe espaço em meu coração para que eu cultive o ódio ou o desejo de vingança. Amo a minha cidade e a minha gente. E desejo ao Arlindinho que ele seja muito feliz.

O BAIACU Tem mais alguma coisa que você gostaria de dizer?

P.W. – Gostaria de citar Mahatma Ghandi. “A verdade é dura como diamante, porém delicada como a flor do pessegueiro”.

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