..que aconteceu a festa do O CARAPEBA. Por 1001 motivos
Texto publicado originalmente na edição 14 do jornal O CARAPEBA em 30 de agosto de 2011

Finalmente, havia chegado o grande dia. No sábado, 13 de agosto, nós aqui da redação marcamos para comemorar o aniversário de um ano do jornal O CARAPEBA. Seria uma “baguncinha” simples, em Praia Seca, logo depois de apresentarmos o programa “Família Carapeba” na Rádio Mar Aberto 98,7 FM. Marcamos para ir juntos para lá, e só faltava o Jorge Carapeba, um dos apresentadores do programa, aparecer por aqui. Como ele sempre atrasa, nem nos preocupamos em ligar para ele. Quando o telefone tocou, era o próprio:
– Cara, sofri um acidentezinho aqui na rodovia, naquela curva antes da Cical… tem como você vir aqui? Fica tranquilo que tá tudo bem…
Pelo tom de voz dele no telefone, não deu para assustar. Tanto que fomos chateados, mas sem muita pressa. Alguns minutos depois, ao passarmos pelo Viaduto, os carros na mão oposta passavam piscando o farol, indicando o acidente na pista. Logo depois, vi um ônibus da Viação 1001 com o pára-brisas estilhaçado. Mais alguns metros, o triciclo, apelidado por nós de Carapebamóvel, destruído, e a ambulância do Corpo de Bombeiros imobilizando o Jorge em uma maca, enquanto a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária controlavam o tráfego.
A ambulância levou Jorge para a UPA. Graças a Deus, ele estava de capacete, porque a pancada na cabeça foi certeira. Tivemos medo do acidente deixar seqüelas, e ele virar uma pessoa normal depois disso, já pensou?
Segundo testemunhas, Jorge subia a curva com o triciclo, e o ônibus, que vinha em alta velocidade, abalroou a sua cobertura, arremessando o veículo para longe.
Ligamos para um amigo, que se prontificou em enviar uma picape para recolher o que sobrou, e ficamos aguardando a perícia.

“Nunca vi disso na vida!”

Nem o perito da Polícia Civil entendeu o que tinha pela frente: ele olhava, olhava, e não entendia exatamente do que se tratava aqueles ferros retorcidos. Tinha um frango assado e vários pães dentro da cabine. “É um carrinho de daqueles de vender comida?”. “Não”, tentei esclarecer. “Mas e esse toldo?”. Expliquei que era para proteger as duas TV´s de LCD de 32” recém-instaladas. Aí foi que ele não entendeu mais nada. “Duas TV´s? um carrinho de comida com duas TV´s?”. Tentei explicar que o frango assado era para consumo próprio, mas aí ele achou vários tubos e potes de produtos de beleza. “Ele vende ou usa isso também?”, perguntou o confuso perito. “Não usa não, isso ele vende. Até porque, produto de beleza não faz milagre”, explicamos. O perito então foi conversar com os policiais presentes, e de longe acompanhamos o diálogo. Naquele momento, populares atraídos pelo boato de que havia caído um disco-voador em plena Amaral Peixoto, chegavam ao local com máquinas fotográficas e filmadoras. Parece que agora isso virou moda em Araruama. Varginha daqui a pouco vai nos acusar de querer sequestrar o ET deles.
E agora? Será que a 1001 vai pagar o prejuízo? Munidos de toda a documentação, tentamos contato por telefone com o responsável regional da empresa, que fica em Cabo Frio, por mais de dez vezes. “Ele está em reunião”, é o que a secretária sempre repete. Deixamos também o telefone para contato, mas nunca tivemos retorno das ligações. De repente ele pode estar com muito serviço mesmo e não deu tempo de ligar. Na próxima edição a gente diz o que aconteceu.


Há alguns anos, um gordinho simpático começou a ficar famoso na cidade vendendo doces e balas em um sinal de trânsito na Rodovia Amaral Peixoto. Ele se destacou não pelo preço ou pela qualidade dos produtos, e sim pelo alto astral, visual sempre inovador, e a maneira divertida de abordar os motoristas, com seus argumentos hilários. Muita gente ganhava o dia ao observar as atitudes de Jorge, passando por ele logo pela manhã.
Como ficou perigoso trabalhar no local, pelo grande fluxo de veículos, ele resolveu inovar. Munido de um megafone e sua inconfundível peruca colorida, passou a fazer propaganda “ao vivo” de comerciantes locais. Há um ano, ele foi o entrevistado e capa da primeira edição do nosso jornal. Fez tanto sucesso que acrescentou o sobrenome “Carapeba” ao seu, e virou parte da família, estrelando mais um monte de edições.
Depois disso, o negócio da propaganda deu certo, e ele construiu a primeira versão do Carapebamóvel, um triciclo equipado com caixas de som e coberto de merchandising em suas laterais. Para poder circular no centro da cidade sem infringir a lei do silêncio, Jorge novamente bolou uma solução: investiu na compra de dois monitores de TV de LCD 32” para acoplar ao Carapebamóvel e divulgar seus clientes. Durante dois dias, a ideia deu certo, até o ônibus passar e… você já sabe. Inclusive, o boato que tomou a cidade foi de que ele já tinha “passado dessa pra melhor”.
Hoje, Jorge Carapeba está sem o seu veículo de trabalho e quer voltar à ativa. Se for esperar a boa vontade da empresa ou os trâmites judiciais, pode ser que demore muito. “Se precisar, eu volto pro sinal de trânsito pra vender minhas balas, como eu fiz durante muito tempo. Afinal, preciso construir a minha mansão com piscina na Pontinha, e o preço do material de construção está um absurdo”, afirma ele, sem perder o bom humor.
Resolvemos então propor uma campanha junto às pessoas que simpatizam com o Jorge Carapeba, e curtem seu trabalho nas ruas, aqui no jornal e também na rádio Mar Aberto FM. Quem puder ajudar a reformar o Carapebamóvel, com dinheiro, mão-de-obra, orações, ou seja lá de que forma, ligue para ele:
Para doar R$ 5, ligue (22)8824-7564
Para doar R$ 50, ligue (22)8824-7564
Para doar R$ 500, ligue (22)8824-7564
Para doar R$ 5000, ligue (22)8824-7564
(Acima desse valor, pode deixar comigo que eu entrego a ele, tá?)
10% da renda do nosso próximo jornal vai para ele (a menos que dê prejuízo, de vez em sempre acontece). Antes que ele resolva sair por aí cantando “Depende de nóoooos….” no megafone, vamos colaborar. Na próxima edição, esperamos terminar essa história com um final feliz, mostrando todo mundo que ajudou.
