O Melhor Jornal de Araruama

por Carlos Ney – Texto publicado na edição 11 do jornal O CARAPEBA em 04 de abril de 2011

É comum ouvir pelas esquinas araruamenses, dito por pessoas que lêem os jornais locais, que O CARAPEBA é o melhor deles. Sou dos que discordam, achando que o melhor jornal de Araruama ainda está pra nascer. E, nesta cidade esquecida por Deus e pelo dinheiro, talvez não venha a nascer nunca. Claro que, em meio à mesmice que deita e rola nas capas e páginas dos periódicos (temos jornais semanais, quinzenais, mensais e eventuais), O CARAPEBA, pelo conjunto da obra (forma e conteúdo), é facilmente identificável. Aí está a sua força. Em marketing (data vênia, Hilton Nascimento) se diz que a melhor propaganda é aquela que tira o consumidor da indiferença. Por conseguinte, o melhor produto é aquele que o consumidor identifica. Se o jornal se apresenta perante o leitor (consumidor por excelência) como diferenciado, ele é (potencialmente) vendedor. Mas, antes que esteja pronto para ser comercializado, ele precisará ser um produto, resultado não só da união de forças de duas áreas (internas) distintas – criação e execução – como da competência e isenção do repórter, na realização das matérias, filmagens e fotos. Assim seria, se assim fosse. Aqui em Araruama, no entanto, matérias e fotos são de responsabilidade do próprio diretor do jornal. E é aí que os dados ficam viciados, dada a obrigação (necessidade) de agradar para poder vender, já que é ele também quem faz o comercial, visitando pequenos lojistas, grandes empresários e os políticos. No pouco tempo que lhe resta, fará o jornal. Por conta disso, e pelo fato de que esses profissionais de imprensa, na quase totalidade, não têm formação acadêmica, os jornais se parecem tanto. Por conta disso também, longe de merecer censura, esses profissionais de imprensa têm que ter valorizado o trabalho que realizam, apesar de todas as limitações que lhes são impostas. Por conseguinte, como não pode escolher melhor mar, O CARAPEBA terá de aprender a conviver com peixes (e outros bichos) de todos os caráteres. Despreocupando-se com nhéns, nhéns, nhéns, para poder praticar em cada número aqueles conceitos que ficaram tão fora de moda nesses nossos tempos: ética e dignidade. Porque O CARAPEBA pode não vir nunca a ser o melhor jornal de Araruama, mas ele tem obrigação de tentar sempre, sob pena de ser apenas mais um.

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