Obama in Araruama

Texto publicado na edição 11 do jornal O CARAPEBA em 04 de abril de 2011

O mundo todo pôde assistir à visita do Presidente dos Estados Unidos Barack Obama ao Brasil. O que ninguém ficou sabendo foi o que aconteceu durante o espaço na agenda presidencial do dia 20 de março, depois da visita à Cidade de Deus.

Quem conhece a história do advogado Barack Hussein Obama Jr., sabe que o primeiro presidente negro dos EUA é filho de um queniano e que ainda hoje tem vários parentes na África. Obama nasceu no Havaí (a ilha americana no Pacífico, não o bairro araruamense) e foi criado entre os Estados Unidos e a Indonésia. Mais globalizado, impossível. Sua avó paterna ainda mora no Quênia, e entre seus inúmeros netos espalhados pelo planeta, um mora bem perto de nós: o cidadão Jorge Luiz Carapeba Obama da Silva, residente no Havaí (o bairro araruamense, não a ilha do Pacífico), é primo em primeiro grau do presidente norte-americano.
Desde crianças, os dois só haviam se correspondido por cartas. Mesmo na infância, Jorge declarava a Barack o seu desejo de ser presidente do Brasil e acabar com a miséria de grande parte da população. Aí veio o Lula com o mesmo discurso, e enfim…
O primo americano ficava fascinado com as histórias de Jorge sobre o Brasil, a Região dos Lagos e Araruama, em especial. O sonho de Obama era viver aqui, na terra do bebedouro das araras, mas o destino quis que ele seguisse outros rumos. Hoje, ele manda mais no mundo do que a Dilma, o Cabral e o Paulo Melo juntos. E fez questão de conhecer pessoalmente o lugar que povoava o seu imaginário, e que ele só conhecia pelas histórias fantásticas de seu primo Carapeba Obama.

Sempre acompanhado por dois agentes do FBI disfarçados, Obama deixou sua esposa Michelle e suas filhas no hotel, e saiu. Assim como os super-heróis norte-americanos, bastou ele botar um óculos para ficar irreconhecível.
Depois de ir até a Praça XV de táxi, pegou a barca Rio x Niterói, lembrando do percurso que Jorge Carapeba detalhava em suas cartas.

Chegando ao terminal rodoviário de Niterói, tentou pegar uma van. Ficou espantado com a demora, pois uma hora depois ainda não tinha nenhuma no ponto. Obama foi informado pelos agentes do FBI (os caras sabem de tudo) que o número de carros havia sido reduzido pelo governo do estado e que os poucos que restaram, segundo eles, atendiam perfeitamente à população.
Pelo sim, pelo não, ele desistiu e apelou para o ônibus. Esse sim, estava no ponto, porém sujo, velho, desconfortável e lento. Ainda quebrou na estrada, o que atrasou mais o percurso. Os agentes do FBI desceram para ajudar a consertar o carro, e depois tiveram que prender uns manés que tentaram assaltar o ônibus, lotado de isopores e farofeiros, que cantavam pagode e funk por toda a viagem.

Três horas depois, chegaram a Araruama. Jorge Carapeba o aguardava na Rodoviária com o seu Carapebamóvel Limousine. Depois de um passeio pela orla e um rolé na Praça Antonio Raposo, bateu aquela fome. Obama pôde finalmente comer a empada do Luiz Q´Delícia, que ele costuma encomendar toda semana, mas nunca teve o prazer de degustá-la assim, fresquinha.
O passeio foi intenso. Vamos resumir em poucas linhas: ele foi à Gigi, jogou tênis no Barbudo, futebol na quadra de grama sintética da Fazendinha, praticou kite e windsurf em Praia Seca, comeu um peixe frito na Tia Jú e comprou um lote financiado na Estrada de São Vicente. De madrugada, foi visto com uma lata de energético curtindo a balada na AB Lounge. Mais tarde ainda, ficou a pé depois da roda do Carapebamóvel quebrar em um buraco na rua. Tentou pegar uma lotada ou uma van, mas o Detro já estava na área. Finalmente, andou a pé três quilômetros até voltar para a Rodoviária e seguir de volta ao mundo real. Depois de uma emocionante despedida de Barack e Jorge, ele fez questão de convidá-lo a conhecer a Casa Branca e passar algum tempo nos EUA. Jorge ficou de verificar sua agenda e estudar a proposta.

Você deve estar se perguntando: “Mas como ele ficou esse tempo todo aqui? E os compromissos? Não tem como!”

Fique tranqüilo. Como bons jornalistas e marketeiros que somos, já preparamos uma desculpa para isso. Na verdade, o discurso no Theatro Municipal foi feito pelo dublê do Obama. As palavras em português e as referências ao Vasco x Botafogo, foram feitas pelo locutor Márcio Santos, sósia araruamense do presidente, contratado exclusivamente para o evento.

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